Resumo rápido
  • Quem decide a hora de subir é a sua agenda. O preço sobe quando 70% das horas de reunião do mês já estão marcadas, e essa conta não depende de coragem.
  • A conta leva dois minutos. As horas por semana vezes quatro, menos um quarto para o preparo, e 70% do que sobrar é o sinal de subir.
  • A conta é feita em horas de reunião. A consultoria ocupa três horas no mês, e a mentoria e o acompanhamento ocupam uma hora e meia cada.
  • Suba um degrau de cada vez. Um valor que você consiga dizer sem gaguejar, com a mentoria indo junto, sempre em quatro vezes a consultoria.
  • O valor novo vale só para contrato novo. Quem já assinou paga o que assinou até o fim, e o cliente antigo que fecha outro serviço entra no valor de hoje.
  • O acompanhamento muda pelo que o contrato prevê. A cláusula de reajuste diz de quanto em quanto tempo o valor é revisto e com quanto aviso, sempre dentro de 5% da renda do cliente.
  • Diga o preço novo uma vez e pare. Se a pessoa pedir alguma coisa, o que muda é a forma de pagar, e o número fica onde está.
  • Agenda vazia não pede preço menor. Quando o sinal não acende, o que falta é gente entrando na conversa, e baixar o valor só piora.
  • Escreva os degraus do ano antes. Dois degraus, de R$ 500 para R$ 750, fazem cada consultoria e cada mentoria renderem 50% a mais com a mesma agenda.

Muito Educador Financeiro adia o reajuste de preço da consultoria financeira por meses, mesmo com a agenda cheia. O trabalho melhorou, o preço continua o do primeiro cliente, e cada mês puxado serve de motivo para deixar a conversa para o próximo.

Eu demorei muito mais do que devia para subir o meu preço a primeira vez. Tinha a agenda cheia, atendia de manhã, de tarde e de noite, e ganhava praticamente o mesmo que ganhava quando tinha três clientes. Sabe por quê? Porque eu tinha medo de perder cliente, e porque achava que agenda cheia era sinal de sucesso.

Agenda cheia com preço parado não é sucesso, é régua atrasada. Régua é o nome que eu dou para a regra que diz quando o preço sobe, e ela não depende de coragem: é um número que a sua agenda te entrega todo mês.

Neste artigo eu mostro como eu ensino a fazer isso: a conta das horas que cabem no seu mês, o sinal de subir, quanto subir de cada vez, para quem vale o valor novo, como fica o acompanhamento e o que dizer ao cliente.

Por que o preço da consultoria não pode ficar parado?

A tabela com que você começa é piso, e não teto. No método que eu ensino, a consultoria financeira começa em R$ 500, a mentoria financeira de seis meses custa sempre quatro vezes a consultoria, ou seja, R$ 2.000, e o acompanhamento financeiro vai até 5% da renda do cliente.

A tabela existe porque no começo você ainda não tem resultado seu para mostrar. Depois de trinta atendimentos você cobra pelo que essas trinta pessoas conseguiram, e no primeiro cliente você não tem essa história para contar, então a tabela te dá um ponto de partida seguro até você ter a sua. E ela foi feita para você sair dela assim que a agenda provar que o seu trabalho vale mais.

Olha o que uma cliente leva de uma consultoria. Ela chega com o cartão estourado e sai com um plano que corta R$ 500 de desperdício por mês, e isso dá R$ 6.000 no ano. Ela pagou por essa mudança, que se repete todo mês, e as três horas de conversa foram só o meio.

Daí sai a primeira regra do preço: ele vem do resultado que o serviço entrega. Se você cobra por hora, o seu teto é o número de horas que o mês tem, e esse número não muda nunca. Só que, cobrando pelo resultado, esse teto sobe junto com a sua experiência. Eu mostro por que cobrar por hora empobrece em quanto cobrar por uma consultoria financeira.

Agora compare dois educadores que começam no mesmo mês, os dois com a consultoria a R$ 500. Um ano depois, os dois estão com a agenda cheia, só que o primeiro continua cobrando R$ 500 e, para ganhar mais, só tem um caminho, que é atender mais gente, coisa que ele já não consegue. O segundo subiu o preço em degraus ao longo do ano, atende menos gente e ganha mais. A diferença entre os dois não foi talento, nem marketing: foi que o segundo tinha uma régua.

Se você está há três anos na profissão cobrando o valor de estreia, provavelmente acha que está sendo acessível. O que está acontecendo é que a sua régua ficou atrasada, e é por esse caminho que se chega ao terceiro ano faturando quase o mesmo do primeiro.

Quando é a hora certa de subir o preço?

A hora certa de subir o preço da consultoria é quando 70% das horas de reunião do seu mês já estão marcadas. Essa é a Regra dos 70%, e ela troca uma decisão que dependia de coragem por uma conta de dois minutos.

O preço sobe quando a procura prova que o seu trabalho vale mais, e quem mostra essa prova é a sua agenda. É oferta e procura aplicada à sua carreira: se a agenda está enchendo sem você forçar, tem mais gente querendo o seu trabalho do que cabe no seu tempo.

O sinal fica em 70% porque agenda 100% cheia já está saturada. Não sobra espaço para o cliente novo que aparece, o preparo é a primeira coisa que você corta quando falta tempo, e a sua entrega piora justamente no mês em que mais gente te procura. Subir nesse ponto é subir tarde.

Em 70% você tem as duas coisas na mão ao mesmo tempo. A procura já se provou, porque a agenda encheu sem você forçar, e ainda sobra folga para atender bem quem está com você, então o preço sobe antes do aperto.

Subir no ponto certo também muda quem procura você. Quando o valor sobe, a agenda para de encher com quem procurava principalmente o preço baixo e passa a encher com quem procura o seu trabalho, e o preço mais alto afasta só quem queria o mais barato.

Esperar o cansaço avisar é o jeito mais comum de errar essa hora. Cansaço chega tarde, e ele não sabe dizer se você teve um mês puxado ou se a sua agenda encheu de vez. A conta chega no dia que você marcou, e ela não depende do seu humor.

Como calcular quantas horas cabem no seu mês?

A conta parte de um número que só você tem: quantas horas por semana cabem de verdade para reunião com cliente. Não é o que você gostaria de ter, é o que sobra depois do trabalho que você já faz, da família e do resto da sua semana. Pode ser quatro horas, pode ser dez, pode ser vinte.

Com esse número na mão, a conta tem quatro passos:

  1. Escreva as horas por semana. As que cabem de verdade para reunião com cliente, sejam quatro, dez ou vinte.
  2. Multiplique por quatro. Esse é o total de horas de reunião que você tem no mês.
  3. Tire um quarto para o preparo. O que sobra são as suas vagas, e cada vaga é uma hora de reunião com cliente.
  4. Calcule 70% das vagas. Esse número de horas marcadas é o seu gatilho, ou seja, o sinal de que chegou a hora de subir o preço.

Com 10 horas por semana, a conta fica assim: 40 horas no mês, menos um quarto, sobram 30 vagas, e 70% de 30 são 21. Esse educador tem 30 vagas no mês, e o sinal dele acende quando 21 horas de reunião estiverem marcadas.

A conta da agenda com 10 horas por semana 10 h Passo 1. As horas por semana que cabem para reunião 40 h Passo 2. Vezes quatro: as horas de reunião do mês 30 vagas Passo 3. Menos um quarto para o preparo: as suas vagas 21 h Passo 4. 70% das vagas: o sinal de subir o preço Com 18 horas marcadas, a agenda está em 60%: ainda não. Com 21 horas ou mais, o próximo contrato novo já entra no valor novo.
Com 10 horas por semana para reunião, são 30 vagas no mês, e o preço sobe quando 21 horas estiverem marcadas.

O desconto do preparo é a parte que mais gente pula, e é a que mais pesa. O pré-encontro, as análises e a revisão do plano de ação também tomam tempo, e esse tempo não atende ninguém novo. Se você contar as 40 horas como se todas caíssem em reunião, chega no sinal com a agenda estourada, e a folga que você imaginava vira preparo feito de madrugada.

Para quem atende em tempo integral, a conta é a mesma e só os números mudam. Com 20 horas por semana, são 80 horas no mês, 60 vagas depois do preparo e o sinal em 42 horas marcadas.

Faça essa conta uma vez e refaça quando a sua semana mudar. Se você sair do emprego, ganhar uma tarde livre ou perder outra, as horas mudam, e com elas as vagas e o sinal.

Quanto cada serviço ocupa da sua agenda?

Cada serviço ocupa a agenda de um jeito diferente, e é por isso que a conta é feita em horas. Uma vaga é uma hora de reunião com cliente, e a consultoria, a mentoria e o acompanhamento gastam vagas diferentes no mês:

ServiçoVagas no mêsDe onde vem o número
Consultoria financeira3O encontro principal, de até 2 horas, mais o encontro de encerramento, de 1 hora
Mentoria financeira1,5Uma reunião por mês, de até 1 hora e meia
Acompanhamento financeiro1,5Uma reunião por mês, de até 1 hora e meia

Com 30 vagas, uma agenda cheia pode ser, por exemplo, quatro consultorias, oito mentorias e quatro acompanhamentos rodando ao mesmo tempo. São 12 horas de consultoria, 12 de mentoria e 6 de acompanhamento, que fecham as 30.

Contar reuniões em vez de horas erra sempre para menos. A consultoria são dois encontros e três horas, então você enxerga dois na agenda onde ela gastou três, e chega no fim do mês achando que tem folga. E como a consultoria é o serviço que mais se vende, esse erro se repete todo mês.

A mesma conta responde outra pergunta que todo educador faz no começo, que é quantos clientes cabem na agenda e quanto eles rendem. Essa conta, serviço por serviço, está em quantos clientes para viver de Educador Financeiro.

Como medir a agenda todo mês?

Escolha um dia do mês para fazer a conta e não mude mais. Pode ser o dia primeiro, o dia cinco ou o dia dez, desde que seja sempre o mesmo, com um lembrete que se repete todo mês com o nome "dia da régua".

Nesse dia, você abre a agenda na visão do mês, soma as horas de reunião com cliente que já estão marcadas e compara com as suas vagas. Se a sua agenda está no Sistema Karppa, a visão de mês mostra todas as reuniões marcadas de uma vez, e se você usa outro calendário, faz igual nele.

Se o sinal acendeu, o próximo contrato novo que você fechar já entra no valor novo, e quem já assinou continua exatamente como estava.

Anote o resultado de cada mês numa folha só, com cinco colunas: mês, horas marcadas, vagas, percentual e se o preço subiu. No fim do ano são doze linhas, e um trecho dessa folha fica mais ou menos assim:

MêsHoras marcadasVagasPercentualSubiu?
Março153050%Não
Abril193063%Não
Maio223073%Sim: consultoria a R$ 600 e mentoria a R$ 2.400

É essa folha que te dá firmeza na hora de dizer o valor novo. Com doze medições atrás de você, dizer o preço deixa de ser uma decisão e passa a ser o resultado de uma conta.

Três situações para testar a conta
  • Você tem 30 vagas e 20 horas marcadas. Sobe? Ainda não, porque 20 de 30 são 67%, e o sinal desse educador está em 21 horas.
  • No mês seguinte, são 23 horas marcadas. E agora? Agora sobe, porque 23 de 30 são 77%, e o próximo contrato novo já entra no valor novo.
  • Você tem 20 vagas e 16 horas marcadas. O sinal acendeu? Acendeu, porque 16 de 20 são 80%, acima dos 70%.

Se você errou alguma das três, refaça a conta com o seu número antes de seguir. A régua só funciona quando a conta sai automática, e é fazendo no mesmo dia todo mês que ela fica assim.

Quanto subir o preço de cada vez?

O preço da consultoria sobe um degrau de cada vez, num valor que você consiga dizer inteiro, sem hesitar. Você não sai de R$ 500 para R$ 1.000 num pulo, porque o mercado e a sua própria confiança precisam acompanhar, então o próximo degrau é, por exemplo, R$ 600 ou R$ 700.

Se você precisa ensaiar antes de dizer o valor novo, o degrau foi grande demais. A gente se acostuma com um número falando ele em voz alta, e um salto grande te devolve justamente a gagueira que a tabela existe para tirar.

A mentoria sobe junto, sempre em quatro vezes a consultoria, e no mesmo dia. Se a consultoria vai para R$ 600, a mentoria vai para R$ 2.400, e se vai para R$ 700, a mentoria vai para R$ 2.800.

Essa proporção é o que segura a distância entre os dois serviços. Se você sobe a consultoria para R$ 700 e esquece a mentoria em R$ 2.000, a mentoria fica a menos de três vezes a consultoria, perto demais para alguém topar seis meses de compromisso. E o cliente que ouve os dois valores lado a lado percebe isso na hora.

O acompanhamento tem uma regra própria, porque o preço dele segue a renda do cliente e vai até 5% dela. Se você começou abaixo desse teto para formar a sua primeira base de clientes, o que é legítimo e costuma ser o certo no começo, o degrau é chegar mais perto dos 5% nos contratos novos, sem nunca passar deles.

Na prática, com um cliente que ganha R$ 8.000 por mês, o teto é de R$ 400. Se a sua mensalidade de entrada para essa renda era de R$ 300, o degrau leva os próximos contratos com essa renda para mais perto dos R$ 400.

Cinco por cento é o teto, e mirar nesse número custa o cliente. A mensalidade vai para o limite do que a pessoa aguenta pagar, e um serviço que foi feito para durar anos acaba durando meses.

Para quem vale o preço novo?

O preço novo vale só para contrato novo. Quem já assinou com você mantém o valor combinado até o fim daquele contrato, e a mentoria de seis meses termina no valor em que começou, mesmo que você tenha subido a tabela no segundo mês.

Presta atenção neste detalhe: contrato novo é contrato novo, mesmo quando o cliente é antigo. Quem fez a consultoria pelo valor anterior e decide fechar a mentoria depois da subida paga a mentoria de hoje, porque é um contrato que ainda não existia.

Os dois lados da regra protegem a mesma coisa, que é a sua palavra. O que ele já assinou, você honra até o fim. O que ele vai assinar, entra na tabela de hoje.

Quanto cada cliente paga no mês em que o preço subiu
  • A Ana fechou a mentoria no mês passado, por R$ 2.000. Neste mês a sua agenda bateu os 70% e a consultoria foi para R$ 600, só que a Ana continua pagando R$ 2.000 até o fim dos seis meses, porque ela já assinou.
  • O Carlos terminou a consultoria por R$ 500 e quer a mentoria agora. Ele paga R$ 2.400, que são quatro vezes a consultoria de hoje, porque a mentoria é um contrato novo.
  • A Júlia chegou pela sessão de aconselhamento depois da subida. Se ela fechar a consultoria, paga R$ 600, e se fechar a mentoria, paga R$ 2.400.

Mexer no valor de quem já assinou destrói a única coisa que a assinatura comprou, que é a certeza. E o estrago não para naquele cliente: ele vai contar para os outros que com você o valor combinado muda no meio do caminho.

Já o cliente antigo que fica sabendo do valor novo sente o contrário. Ele vê que pagou até o fim o que tinha combinado, sem susto nenhum no meio do caminho, e é isso que ele leva em conta quando decide continuar com você e indicar alguém.

É no fim de cada serviço que o cliente antigo costuma encontrar o valor novo, na hora de subir para o próximo degrau da esteira de serviços. Quando e como fazer esse convite está em consultoria, mentoria ou acompanhamento: as duas perguntas que dizem qual oferecer.

Como fica o reajuste no acompanhamento mensal?

O acompanhamento é o único serviço que não tem data para acabar, e por isso é o único em que o contrato precisa dizer como o valor é revisto. Sem essa regra no papel, o seu trabalho melhora e a mensalidade fica parada no valor de três anos atrás.

Imagine um cliente que fechou o acompanhamento por R$ 400 por mês. Passou um ano, a sua consultoria subiu, o seu trabalho melhorou e você quer rever esse valor. Essa conversa só é tranquila se o contrato já tiver avisado, lá no começo, que ela ia acontecer.

A cláusula de reajuste que eu proponho responde quatro perguntas, e as quatro precisam estar escritas:

O que a cláusula de reajuste precisa dizer
  • De quanto em quanto tempo o valor pode ser revisto. Por exemplo, a cada doze meses de contrato.
  • Com quanta antecedência você avisa, por escrito. Trinta dias é um bom número.
  • Como o valor novo entra na cobrança. A cobrança mensal que está rodando se encerra e uma nova começa no valor novo, com uma nova autorização do cliente.
  • O que acontece se o cliente não autorizar o valor novo no prazo. Isso vale como pedido de encerramento do contrato, respeitando o aviso prévio que o contrato já prevê.

A quarta pergunta é a que mais gente deixa de fora. Sem ela, você avisa o valor novo, o cliente não autoriza, ninguém encerra nada e o serviço continua rodando sem os dois saberem por qual valor.

Escreva essa cláusula com as suas palavras e leve ao seu advogado antes de usar, porque ela é uma proposta e precisa da revisão de quem redige contrato. As outras peças do contrato de acompanhamento, como a vigência que se renova sozinha e o aviso de saída, estão em contrato de prestação de serviço do Educador Financeiro.

Na revisão, a mensalidade nova continua dentro do teto de 5% da renda do cliente. Se a renda dele subiu desde a assinatura, o teto subiu junto, e o momento de rever continua sendo decidido pela mesma conta da agenda.

Fale do reajuste em voz alta na hora da oferta, enquanto o cliente ainda está decidindo. Contrato não é lugar de novidade: se ele já ouviu de você como o valor vai ser revisto, chega no papel e não encontra nada que não soubesse.

Quando chegar a hora, o aviso vai por escrito, com a antecedência que o contrato prevê. Quem avisa é você, pelo WhatsApp, e na mesma mensagem vai o link da cobrança nova para o cliente autorizar.

Um exemplo de aviso, para adaptar ao seu contrato

"Oi, [nome], tudo bem? Como a gente combinou no contrato, o valor do acompanhamento é revisto a cada doze meses, e a partir de [data] a mensalidade passa a ser de R$ [valor]. Este é o link da cobrança nova, para você autorizar: [link]."

Como avisar o preço novo sem pedir desculpa?

Diga o valor novo com a mesma firmeza com que você dizia o antigo. A firmeza vem do critério: se você subiu porque a agenda bateu o sinal, está informando o resultado de uma conta, e aí dá para dizer o número inteiro sem emendar justificativa.

Quando alguém perguntar por que o valor é esse, ou disser que soube de quem pagou menos, responda com a própria conta, em voz alta.

A frase para quando perguntarem o motivo

"O valor da consultoria hoje é R$ 600. Ele subiu neste mês porque a minha agenda encheu, e eu atendo um número limitado de pessoas justamente para dar a cada uma a atenção que o trabalho exige. Quem já está comigo segue no valor que fechou, e quem entra agora entra nesse."

A frase funciona porque é verdadeira e porque explica uma vez e para. Como é verdadeira, você não precisa enfeitar nada, e inventar justificativa para o próprio preço é avisar o cliente de que o preço não veio de critério nenhum. E parando na primeira explicação você não abre a negociação que não queria, porque explicar duas vezes já é pedir aprovação para o número.

A frase só pode ser dita quando a agenda encheu de verdade. Usar o mesmo texto sem a agenda ter enchido é inventar escassez, igual a vaga que não existe ou condição que some à meia-noite, e isso não entra em conversa nenhuma com cliente.

Se a pessoa pedir alguma coisa, o que se ajusta é a forma de pagar, e o número fica onde está. Baixar o preço avisa o cliente de que ele não valia o número que você falou, e ele vai pensar isso de tudo o que você disse antes. Mudar a condição diz outra coisa: que você quer que o serviço caiba no mês dele.

Na prática, a condição vira uma pergunta com duas saídas, à vista ou parcelado, em que as duas respostas são um sim. Se a objeção for o famoso "tá caro", eu mostro o caminho completo, com a fala pronta, em como responder ao "tá caro" na consultoria financeira.

A ordem da conversa pesa tanto quanto o número. O resultado vem primeiro e o preço entra depois, colado nele, porque o cliente que ouve o número antes de entender o que está comprando não tem com o que comparar, e aí qualquer valor parece alto.

E se a agenda nunca chegar aos 70%?

Quando a agenda não chega aos 70%, o preço não desce, nem se passarem seis meses longe do sinal. Preço baixo não enche agenda vazia: você vai continuar com os mesmos poucos clientes, só que ganhando menos em cada um.

Agenda vazia quer dizer que está faltando gente entrando na conversa. No método que eu ensino a ordem é esta: atender bem quem já é cliente, prospectar na rede de quem já te conhece, que é o Público ABC, e produzir conteúdo junto.

Se é aí que você está, comece por como conseguir clientes como Educador Financeiro. É a quantidade de conversas que muda esse quadro, e o preço continua o mesmo até a agenda encher.

Como planejar os reajustes dos próximos 12 meses?

Escreva os degraus do ano antes, com a cabeça fria, e deixe para a agenda só a tarefa de dizer quando cada um entra. A conta sozinha não resolve o mês em que o sinal acende e nada acontece: você vê o número, decide esperar um mês mais tranquilo, e esse mês não chega.

Eu travei de novo depois da primeira subida. Subi, respirei, a agenda encheu outra vez em três meses e eu travei do mesmo jeito, porque na minha cabeça subir preço ainda era um evento raro, coisa que a gente faz quando cria coragem. Subir preço é um item de agenda, igual pagar boleto: tem dia marcado, tem conta pronta e tem a decisão tomada antes de a emoção entrar.

A saída é uma folha com três linhas, escrita no começo do ano. Cada linha tem o valor da consultoria, o valor da mentoria em quatro vezes esse número e o mês previsto para a subida.

A escada de preço do ano, escrita no começo +50% do primeiro ao terceiro degrau, com a mesma agenda Hoje Consultoria R$ 500 Mentoria R$ 2.000 Degrau 2 Consultoria R$ 600 Mentoria R$ 2.400 Degrau 3 Consultoria R$ 750 Mentoria R$ 3.000 O mês de cada degrau é previsto, e quem confirma é a agenda.
A mentoria acompanha cada degrau em quatro vezes a consultoria, e o acompanhamento segue a renda do cliente, até 5% dela.

Uma escada possível sai da consultoria a R$ 500 e chega a R$ 750 em dois degraus. Hoje são R$ 500 na consultoria e R$ 2.000 na mentoria, no degrau seguinte R$ 600 e R$ 2.400, e no terceiro R$ 750 e R$ 3.000. O acompanhamento não tem degrau de valor, porque o preço dele segue a renda do cliente, e o degrau dele é chegar mais perto dos 5% nos contratos novos.

O mês escrito ao lado de cada degrau é uma previsão, e quem confirma a data é a agenda. Se o sinal acende antes, você sobe antes, e se demora, o degrau espera, e dois ou três degraus em doze meses já fazem um ano muito bom.

Com dois degraus no ano, cada consultoria e cada mentoria passam a render 50% a mais. É a mesma agenda, com as mesmas reuniões e o mesmo esforço, sem um cliente a mais, sem uma hora a mais e sem uma publicação a mais. Para fazer o faturamento crescer não existe caminho mais barato, porque esse só depende de você.

Cada degrau também devolve fôlego para a agenda. Quando o preço sobe, você passa a atender menos gente com mais profundidade, e mais profundidade traz mais resultado, o resultado traz indicação e a indicação enche a agenda de novo até o próximo sinal.

O preço, porém, não é o que mais faz o faturamento crescer. Fazer o cliente avançar na esteira de serviços pesa muito mais, porque um cliente que ganha R$ 8.000 por mês e faz a consultoria, a mentoria e um ano de acompanhamento deixa com você R$ 7.300. Isso é mais de catorze vezes os R$ 500 de quem fez só a consultoria, e a conta completa desse cliente está em renda recorrente para Educador Financeiro.

E o erro que mais trava a escada se disfarça de prudência. Ele vem sempre com a mesma frase, "vou subir quando o mês que vem estiver mais tranquilo", e o mês que vem nunca está mais tranquilo. É por isso que a data da conta é fixa e o valor já fica escrito no papel.

Preço não sobe por coragem, sobe por calendário.

A Formação

Aprenda a cobrar e a subir o preço

O preço dos três serviços, a hora de subir, o contrato de cada um e o método de venda.

Agendar Sessão Estratégica

Que erros travam o reajuste de preço?

Quase todos estes erros nascem antes da conversa com o cliente, na hora de montar o critério, e é por isso que eles não se consertam dentro da reunião.

  • Cobrar pelo tempo. Cobrando por hora você só cresce trabalhando mais horas, e as horas do mês acabam.
  • Não ter a conta da agenda. Sem as vagas calculadas não existe sinal, e sem sinal o preço só sobe quando você cansa.
  • Subir a consultoria e esquecer a mentoria. A mentoria fica perto demais da consultoria e perde a razão de existir aos olhos do cliente.
  • Mexer no valor de quem já assinou. Quebra a certeza que o contrato comprou, e esse cliente conta para os outros.
  • Mirar nos 5% do acompanhamento. Cinco por cento é teto: puxar a mensalidade até lá deixa o cliente no limite, e o serviço dura menos do que devia.
  • Deixar para subir no mês que vem. O mês mais tranquilo não chega, e o sinal acende de novo com o preço parado.
  • Baixar o preço com a agenda vazia. O que falta é gente entrando na conversa, e preço menor não resolve isso.
  • Falar o preço em faixa. Dizer que fica entre um valor e outro mostra ao cliente que você não sabe quanto o seu trabalho vale.
  • Inventar o número na hora. Se o valor não estava decidido antes da reunião, a tabela é que ficou sem preencher.

Perguntas frequentes

Quando aumentar o preço da consultoria financeira?

Quando a sua agenda chegar a 70% das horas de reunião que cabem no seu mês. É a Regra dos 70%: você escreve quantas horas por semana cabem de verdade para reunião com cliente, multiplica por quatro, tira um quarto para o preparo e calcula 70% do que sobrar. Com 10 horas por semana, por exemplo, são 40 horas no mês e 30 vagas, então o sinal acende com 21 horas marcadas. O sinal fica em 70% porque agenda totalmente cheia já está saturada, sem espaço para cliente novo e com o preparo sendo cortado.

Posso aumentar o preço de quem já é meu cliente?

Não no meio do contrato. Quem já assinou paga o que assinou até o fim, e é por isso que a mentoria de seis meses termina no valor em que começou. O cliente antigo só entra no valor novo quando fecha um contrato novo, como a mentoria depois da consultoria. O acompanhamento muda pelo que o contrato prevê, já que não tem data para acabar: a cláusula de reajuste diz de quanto em quanto tempo o valor pode ser revisto, com quanto aviso e como a cobrança nova entra.

Quanto devo aumentar o preço de cada vez?

Um degrau por vez, num valor que você consiga dizer inteiro, sem hesitar. Partindo da consultoria a R$ 500, o próximo degrau é algo como R$ 600 ou R$ 700, porque um salto direto para R$ 1.000 é difícil de dizer com firmeza. A mentoria sobe junto, sempre em quatro vezes a consultoria, então vai para R$ 2.400 ou R$ 2.800. No acompanhamento, que segue a renda do cliente, o degrau é chegar mais perto dos 5% da renda nos contratos novos, sem nunca passar deles.

Como avisar o cliente sobre o aumento de preço?

Diga o valor novo com a mesma firmeza com que dizia o antigo, sem pedir desculpa. Se a pessoa perguntar o motivo, explique uma vez e pare: o valor subiu porque a sua agenda encheu e você atende um número limitado de pessoas para dar a cada uma a atenção que o trabalho exige. Quem já está com você segue no valor que fechou, e quem entra agora entra no novo. No acompanhamento, o aviso vai por escrito, com a antecedência que o contrato prevê, e trinta dias é um bom número.

O que fazer se o cliente pedir desconto depois do reajuste?

Mantenha o número e ajuste a condição. Baixar o preço avisa o cliente de que ele não valia o número que você falou, e ele vai pensar isso de tudo o que você disse antes. Já oferecer a escolha entre à vista e parcelado diz que você quer que o serviço caiba no mês dele. Desconto você nunca oferece sem a pessoa pedir, e quando ela pede, o que muda é a forma de pagar.

Preciso de cláusula de reajuste no contrato de acompanhamento?

Precisa, porque é o único serviço sem data para acabar, e sem a cláusula a mensalidade fica parada enquanto o seu trabalho melhora. Ela responde quatro perguntas: de quanto em quanto tempo o valor pode ser revisto, com quanta antecedência você avisa por escrito, como a cobrança nova entra e o que acontece se o cliente não autorizar o valor novo no prazo. Escreva com as suas palavras e leve ao seu advogado antes de usar.

Quem fez a consultoria no valor antigo paga a mentoria no valor novo?

Paga, porque a mentoria é um contrato novo. O que a pessoa já assinou você honra até o fim, e o que ela vai assinar entra pela tabela de hoje. Se a consultoria subiu para R$ 600, a mentoria de quem fechar a partir de agora custa R$ 2.400, que são quatro vezes a consultoria de hoje, mesmo que essa pessoa tenha feito a consultoria por R$ 500.

Devo baixar o preço se a agenda estiver vazia?

Não. Quando os meses passam e a agenda não chega perto dos 70%, o preço não desce, porque preço baixo não enche agenda vazia. O que enche agenda é gente entrando na conversa, ou seja, prospecção, começando pela rede de quem já te conhece e com o conteúdo andando junto. Se você baixar o valor, continua com os mesmos poucos clientes e ganhando menos em cada um.

Quanto o reajuste aumenta o faturamento?

Com dois degraus num ano, a consultoria sai de R$ 500 para R$ 750 e a mentoria de R$ 2.000 para R$ 3.000. Isso é 50% a mais em cada consultoria e em cada mentoria, com a mesma agenda, as mesmas reuniões e nenhum cliente a mais. Dois ou três degraus em doze meses já fazem um ano muito bom, e quem decide o mês de cada um é a agenda.

O que fazer nas próximas 24 horas?

Faça hoje a conta da sua agenda com as horas reais da sua semana: vezes quatro, menos um quarto para o preparo e 70% do que sobrar. Escreva duas linhas num papel, "minhas vagas" e "meu sinal de subir", e deixe esse papel junto da sua tabela de preços.

Depois escolha o seu dia da régua e crie o lembrete mensal no celular. Na mesma folha, escreva a sua escada do ano: três degraus, cada um com a consultoria, a mentoria em quatro vezes esse valor e o mês previsto.

Se você já tem cliente de acompanhamento, abra o contrato dele e veja se a cláusula de reajuste está lá. Se não estiver, coloque a cláusula nos contratos novos a partir de agora, e leve ao seu advogado a dúvida sobre os contratos que já estão assinados.

Quando o preço vem de um critério, você não treme na hora de dizer o número. Já não tem nada para decidir ali, porque a decisão foi tomada no seu dia da régua, com a agenda aberta e a folha na frente.