Resumo rápido
  • São três serviços, e cada um tem uma natureza diferente. A consultoria é pontual, a mentoria é estruturada em seis meses e o acompanhamento é contínuo, sem data para acabar.
  • É esteira, e não cardápio. Os três existem para o educador escolher a partir do momento do cliente, nunca para o cliente escolher pelo preço.
  • O critério do método são duas perguntas. Qual é o tamanho do problema que a pessoa trouxe, e quanto tempo esse problema leva para ser resolvido.
  • Classificar pela renda é o erro mais convincente. Quem ganha cem mil e nunca organizou nada precisa exatamente do mesmo diagnóstico de quem ganha cinco mil e nunca organizou nada.
  • O cliente costuma dizer o degrau na primeira frase. Quem pede para entender o que está acontecendo quer diagnóstico, quem pede alguém ao lado quer construção, e quem pede alguém para pensar junto quer conselho.
  • Não existe ordem obrigatória. A consultoria é a porta mais comum, e não a única: quem já tem a base pronta pode entrar direto no acompanhamento.
  • A oferta do próximo degrau é sempre no último encontro. A mentoria nasce no encerramento da consultoria, e o acompanhamento nasce na sexta reunião da mentoria.
  • O degrau seguinte é consequência da entrega, não de argumento de venda. Se a oferta precisa de convencimento, o problema está no serviço anterior.
  • Os valores de partida são R$ 500, quatro vezes isso e 5% da renda. A consultoria começa em R$ 500, a mentoria é sempre quatro vezes a consultoria e o acompanhamento tem teto de 5% da renda do cliente.
  • Errar o degrau é falha de diagnóstico, não de venda. E sai caro dos dois lados, porque o cliente paga por um serviço que não resolve o problema dele.

Uma pessoa manda mensagem dizendo que está perdida com as próprias contas e pergunta quanto você cobra. Você tem três serviços para oferecer, cada um com um preço e um formato, e nesse instante precisa decidir qual deles é a resposta certa para ela. Essa decisão se repete a cada nova pessoa que aparece, e ela é a que mais pesa no seu resultado do ano.

O erro aqui quase nunca é de preço, é de leitura. O Educador Financeiro que oferece consultoria para quem precisa de seis meses de construção entrega um diagnóstico a alguém que já sabe o próprio problema, e vê o cliente sumir depois do segundo encontro. Quem oferece mentoria para uma pessoa com a vida financeira já organizada está vendendo seis meses de alicerce em cima de uma fundação que já existe, e o cliente sente isso na terceira reunião.

Errar o degrau não é falha de venda, é falha de diagnóstico. E essa distinção importa, porque quem acha que é problema de venda vai estudar técnica de fechamento, quando o que faltou foi escutar melhor a pessoa na primeira conversa.

Neste artigo eu abro o critério inteiro de classificação, do jeito que eu ensino. Na ordem: quais são os três serviços e o que cada um faz, por que eles formam uma esteira e não um cardápio, as duas perguntas que decidem o degrau, por que a renda é o critério errado, o atalho que aparece na fala do próprio cliente, três casos resolvidos passo a passo, por que a entrada não é obrigatória, quando se oferece o próximo degrau, quanto cobrar por cada um e os quatro erros de leitura mais frequentes. No fim tem o que fazer nas próximas 24 horas.

Quais são os três serviços do Educador Financeiro?

O Educador Financeiro trabalha com três serviços, e juntos eles formam o que eu chamo de esteira de serviços. São a consultoria, a mentoria e o acompanhamento financeiro, nessa ordem de profundidade e de compromisso. Cada um resolve uma necessidade diferente, e é por isso que eles não competem entre si.

A pergunta que separa o profissional que constrói uma carreira do que atende um cliente aqui e outro ali é simples: quantos serviços ele tem para oferecer? Quem tem um serviço só vende uma vez por cliente, porque atende, resolve, e a relação termina. Quem tem três recebe a mesma pessoa em momentos diferentes da vida dela e permanece anos ao lado dela.

Isso não é vender mais por vender, e essa ressalva é importante. É ter a resposta certa para cada momento de quem chega, já que a vida financeira de uma pessoa não é estática: ela muda, e o que ela precisa de você muda junto.

Por que é esteira de serviços, e não cardápio?

A palavra esteira foi escolhida com cuidado, e vale explicar o que ela exclui. Cardápio é o que se apresenta para a pessoa escolher o que prefere, e ela quase sempre escolhe pelo preço. Esteira é uma sequência de evolução, em que o cliente entra pelo degrau que corresponde ao momento dele e sobe quando faz sentido subir.

A diferença tem consequência prática imediata, e ela aparece na primeira conversa. Num cardápio, o cliente compara os três serviços entre si e escolhe o mais barato, porque ele não tem repertório nenhum para avaliar qual deles resolve o problema dele. Numa esteira, você lê o momento da pessoa e indica um serviço, com a justificativa da escolha.

Repare no que isso faz com a conversa. O cliente deixa de escolher entre três coisas que não entende e passa a receber uma recomendação profissional, que é exatamente o que ele foi buscar quando procurou alguém. Ninguém sai do consultório escolhendo o próprio tratamento numa lista de preços.

O princípio cabe numa frase, e ele governa tudo o que vem depois neste artigo: os três serviços existem para o educador escolher, e não para o cliente escolher. Esse é o erro mais comum de quem descobre a esteira e fica animado com ela, porque a tentação é apresentar as três opções logo na primeira conversa, achando que está dando liberdade à pessoa. O que a pessoa recebe, na prática, é a tarefa de fazer um diagnóstico que ela não tem como fazer.

O que a consultoria entrega em dois encontros?

A consultoria é um serviço pontual, feito para resolver um problema específico. Ela tem três etapas e dois encontros com o cliente, e se completa em pouco mais de um mês. É o serviço de menor compromisso da esteira, tanto em preço quanto em tempo, e por isso é a porta de entrada mais comum.

A primeira etapa é o pré-encontro, que é trabalho de bastidor e não tem reunião. O cliente responde os levantamentos e você organiza e analisa os dados antes de sentar com ele, e é isso que separa uma consultoria de uma conversa sobre dinheiro. O caminho desse levantamento, pergunta por pergunta, está no artigo sobre a anamnese financeira, e o jeito de pedir os dados sem a pessoa desistir no meio está em como fazer o levantamento de dados financeiros do cliente.

O encontro principal entrega o diagnóstico e um plano de ação para os trinta dias seguintes. Ali o cliente vê a própria situação com clareza, muitas vezes pela primeira vez na vida, e sai com até cinco frentes de trabalho definidas. Não é relatório de cinquenta páginas nem planilha cheia de abas, porque o critério de qualidade do entregável é ele caber na cabeça de quem recebeu. Se você quer ver essa entrega em detalhe, eu abro a condução dela em como apresentar o diagnóstico financeiro ao cliente.

Entre os dois encontros abre a janela de execução, que é quando o cliente aplica o plano. Depois vem o encontro de encerramento, que mostra a evolução do mês e oferece a mentoria como próximo passo natural. Pular esse segundo encontro é um erro comum e caro, porque é exatamente ali que a evolução fica visível e o próximo degrau nasce sozinho.

A analogia que eu uso é a do médico, e ela ajuda o cliente a entender o formato. O pré-encontro é o exame, o encontro principal é o diagnóstico com a prescrição, e o encontro de encerramento é a consulta de retorno. Ninguém estranha que o médico peça exame antes de falar, e ninguém estranha que exista um retorno.

Para quem a consultoria serve: o cliente que chega com uma demanda específica e delimitada, e principalmente o cliente que nunca trabalhou com um Educador Financeiro antes.

O que a mentoria constrói em seis meses?

A mentoria é um serviço estruturado de seis meses, com seis reuniões mensais ao vivo. Cada reunião dura entre uma hora e uma hora e meia, e entre uma e outra o cliente tem trinta dias para executar o que ficou combinado. É um serviço fechado, com começo, meio e fim.

O foco da mentoria é um só, e ele tem nome: construir a fundação financeira do cliente, nos cinco pilares da base financeira. São eles: entender com clareza quanto ele ganha; entender com clareza quanto ele gasta; montar um orçamento mensal estruturado; sair das dívidas, quando elas existirem; e começar a construir a reserva de emergência.

Dois desses pilares costumam ocupar boa parte dos seis meses, e vale saber o que fazer em cada um. A saída das dívidas tem um método próprio, que eu detalho em como ajudar o cliente a sair das dívidas. Já a reserva de emergência tem uma régua e uma sequência de passos, e as duas estão em como ajudar o cliente a montar a reserva de emergência.

A analogia aqui é a do alicerce de uma casa. Antes de qualquer crescimento de longo prazo, investimento ou expansão, a base precisa estar firme, e alicerce não se levanta num dia de trabalho. É essa a razão do prazo de seis meses: não é um pacote comercial, é o tempo que a construção leva.

Para quem a mentoria serve: o cliente que precisa de construção ao longo do tempo, e não de um diagnóstico. Quem termina bem a consultoria e percebe que sustentar a organização sozinho não vai acontecer é o candidato natural.

O que muda quando o cliente entra no acompanhamento?

O acompanhamento é um serviço contínuo, sem data para acabar. É uma reunião por mês ao vivo, no mesmo formato da mentoria, e é comum durar anos. Entre as reuniões o cliente mantém um canal aberto para a dúvida pontual que não pode esperar o próximo encontro, o que não é suporte de dia a dia, e sim a segurança de saber que você está por perto.

Aqui o seu papel muda, e essa é a característica que define o degrau. Na consultoria e na mentoria você é professor: mostra a realidade, explica o método, conduz a construção. No acompanhamento, com a base já pronta, o cliente não precisa mais que ninguém ensine o básico para ele, então você deixa de ser professor e passa a ser conselheiro.

Cada reunião mensal tem duas partes, e é bom conhecer as duas antes de vender o serviço. A primeira é a leitura dos números do mês, em que se confere se o orçamento continua de pé e se a reserva cresce. A segunda é o assunto do mês, que é a decisão ou a dúvida que o cliente traz, e ela muda a cada encontro.

Como não existe data de término, o serviço é cobrado em recorrência mensal. A recomendação de método é fechar contrato de um ano, renovável, porque isso dá previsibilidade para você e constância para o cliente, que é o que um trabalho de longo prazo pede. As cláusulas que esse contrato precisa ter estão no artigo sobre o contrato de prestação de serviço do Educador Financeiro, e a lógica financeira da recorrência está em renda recorrente para Educador Financeiro.

Existe uma linha que o conselheiro não atravessa, e ela precisa estar clara antes do primeiro contrato de acompanhamento. Pensar junto com o cliente sobre uma decisão de dinheiro é trabalho do Educador Financeiro. Indicar produto, instituição ou papel não é. Definir percentual de alocação de carteira de investimentos não é. Prometer rentabilidade não é. A régua cabe numa frase que eu repito muito: educar sobre a categoria, sim, indicar o produto, não.

Para quem o acompanhamento serve: o cliente com a base financeira construída e rodando, que agora enfrenta decisões de peso e não quer decidir sozinho.

OS TRÊS DEGRAUS DA ESTEIRA DE SERVIÇOS Quem escolhe o degrau é o educador, e o critério é o momento do cliente. Consultoria Pontual Dois encontros Diagnostica um problema Mentoria Estruturado Seis meses, seis reuniões Constrói a base financeira Acompanhamento Contínuo Uma reunião por mês Aconselha as decisões Você é professor Você é professor Você é conselheiro
Os três degraus em ordem crescente de profundidade e de compromisso. A altura de cada bloco mostra o tempo que o serviço ocupa na vida do cliente, e a linha de baixo mostra a única mudança de papel da esteira: nos dois primeiros degraus você ensina, e no terceiro você aconselha.

Qual serviço oferecer para o cliente que chegou?

Sabendo que existem três degraus, sobra a pergunta que você vai responder mais vezes na carreira. Qual serviço oferecer para a pessoa que está na sua frente? O critério do método são duas perguntas, e elas se respondem com o que a própria pessoa contou na conversa.

1 · Qual é o tamanho do problema que ela trouxe? Um problema delimitado, com contorno claro, é problema de consultoria. Uma base financeira inteira por construir é problema de mentoria. Nenhum problema estrutural, e sim uma sequência de decisões que vão aparecendo, é acompanhamento.

2 · Quanto tempo esse problema leva para ser resolvido? O que se resolve com diagnóstico e um plano de trinta dias é consultoria. O que exige meses de aplicação e correção é mentoria. O que não se resolve, porque não é um problema e sim uma trajetória, é acompanhamento.

As duas perguntas trabalham juntas, e é a combinação delas que dá a resposta. A primeira mede a extensão do que precisa ser feito, enquanto a segunda mede o tempo que isso leva, e quase sempre as duas apontam para o mesmo degrau. Quando elas apontam para degraus diferentes, é sinal de que faltou informação na conversa, e o caminho é perguntar mais antes de recomendar.

Por que classificar pela renda dá errado?

O erro mais frequente é classificar o cliente pela renda. É intuitivo, parece profissional, e está errado. Renda alta não indica acompanhamento, e renda baixa não indica consultoria.

O teste que desmonta esse atalho é rápido de fazer na cabeça. O cliente que ganha cem mil reais por mês e nunca organizou nada precisa exatamente do mesmo diagnóstico que o cliente que ganha cinco mil e nunca organizou nada, porque os dois têm o mesmo problema: eles não sabem para onde vai o dinheiro. O que muda entre os dois é o valor que você vai cobrar, e não o serviço que você vai entregar.

Esse erro é difícil de desaprender porque ele parece razoável, e porque ele tem uma origem honesta. Quem está começando olha para uma pessoa de renda alta e sente que oferecer o serviço de entrada é oferecer pouco, como se o preço menor fosse um desrespeito. Só que o cliente não compra o degrau mais caro, ele compra a solução do problema dele, e oferecer um serviço que não resolve é o desrespeito de verdade.

Existe uma consequência prática dessa confusão que custa caro. Quem classifica pela renda acaba oferecendo acompanhamento contínuo para uma pessoa de renda alta que nunca organizou nada, e o serviço começa errado: o cliente paga por conselho mensal quando o que ele precisava era enxergar os próprios números pela primeira vez. Três meses depois ele cancela, e a conclusão que fica é que ele não valorizava o trabalho.

Como o próprio cliente diz do que precisa?

Existe um atalho útil, e ele aparece na fala de quem procura você. O tipo de ajuda que a pessoa pede costuma entregar o degrau antes de qualquer análise sua, e é por isso que a primeira conversa vale mais do que qualquer formulário.

A tradução é direta, e ela cabe em três frases. Quem pede para entender o que está acontecendo quer diagnóstico, ou seja, consultoria. Quem pede alguém ao lado dele por um tempo quer construção, ou seja, mentoria. Quem pede alguém para pensar junto quer conselho, ou seja, acompanhamento.

Vale prestar atenção nas palavras exatas que a pessoa usa, porque elas raramente são acidentais. Frases como "eu não sei nem por onde começar" e "não faço ideia de quanto sobra" apontam para diagnóstico. Frases como "eu já tentei sozinho e não consigo manter" e "preciso de alguém me cobrando" apontam para construção. Frases como "eu estou decidindo se compro ou alugo" e "queria alguém para conversar antes de decidir" apontam para conselho.

Isso não substitui as duas perguntas, e sim acelera a chegada nelas. O cliente frequentemente já diz qual degrau precisa, e o seu trabalho é escutar em vez de partir direto para a apresentação do serviço que você mais gosta de vender.

Como isso fica em três casos?

A melhor maneira de fixar o critério é aplicá-lo. Os três casos abaixo passam pelas duas perguntas, cada um com a resposta e com o raciocínio que a sustenta, e eu incluí de propósito o erro tentador de cada um.

O que oferecer para a Fernanda?

Fernanda tem 29 anos e está endividada no cartão e no cheque especial. Ela vive no vermelho todo mês e nunca conseguiu poupar nada. Não precisa que ninguém diga que está desorganizada, porque isso ela já sabe muito bem, e o que ela quer é alguém ao lado dela nos próximos meses para montar o orçamento, organizar a saída das dívidas e finalmente começar a guardar dinheiro.

Serviço indicado: mentoria.

O que define o caso dela é o tipo de ajuda que ela pede. Não é um diagnóstico pontual, é alguém ao lado dela por meses para construir a base. Montar o orçamento, sair das dívidas e começar a reserva são três dos cinco pilares da base financeira, e fundação não se constrói num único encontro.

O erro tentador aqui é a consultoria, e o motivo da recusa é preciso. A consultoria entrega um diagnóstico e um plano de trinta dias, só que a Fernanda já sabe qual é o problema dela. O que ela não tem é apoio próximo durante a construção, e isso a consultoria não entrega por definição.

O que oferecer para o Paulo?

Paulo tem 45 anos, é engenheiro, e há um bom tempo mantém o orçamento em dia, não tem nenhuma dívida e já tem a reserva de emergência completa. A vida financeira dele está organizada e rodando sozinha. O que aparece agora são decisões de peso: ele recebeu uma proposta para virar sócio numa empresa e está avaliando comprar um imóvel para alugar, e quer alguém de confiança para pensar essas escolhas com ele, mês a mês, sem data para terminar.

Serviço indicado: acompanhamento.

A base financeira do Paulo já está pronta e rodando. Ele não precisa construir nada, precisa de um conselheiro para as decisões importantes que vão aparecendo ao longo do tempo, e elas não têm prazo para acabar.

O erro tentador aqui é a mentoria, porque ela é o serviço de ticket mais alto e parece o degrau mais completo. Só que ela existe para construir a base e tem prazo fechado de seis meses, e a base do Paulo já está construída, então oferecer mentoria a ele é vender seis meses de um trabalho que ele não precisa fazer.

O que oferecer para a Camila?

Camila tem 38 anos, é dentista e fatura bem. Ela não tem dívidas, mas nunca organizou a vida financeira e não faz ideia de quanto sobra no fim do mês. Está pensando em abrir uma segunda clínica e quer saber se isso cabe no bolso dela, só que percebeu que não consegue responder porque não tem clareza nenhuma dos próprios números, e é a primeira vez que ela procura um Educador Financeiro.

Serviço indicado: consultoria.

Camila não tem clareza nenhuma dos próprios números. Antes de qualquer decisão maior, ela precisa enxergar a situação atual, e é exatamente isso que a consultoria entrega: o diagnóstico e um plano de trinta dias. É o ponto de partida natural de quem procura um educador pela primeira vez.

O erro tentador aqui é o acompanhamento, por causa da decisão da segunda clínica, que parece uma decisão de peso do tipo que o acompanhamento trata. Só que o acompanhamento pressupõe base construída e relação de longo prazo, e a Camila não tem nem uma coisa nem outra. Repare também que ela é o perfil que mais some do radar de quem está começando: fatura bem, não deve nada, e não sabe para onde vai o dinheiro.

O cliente precisa começar pela consultoria?

Não existe ordem obrigatória, e esse é o ponto que mais gente entende errado ao aprender a esteira. Os três serviços se complementam, mas não se anulam, e nenhum deles é pré-requisito do outro.

A consultoria é o ponto de entrada mais comum, e o motivo é prático. Ela é o serviço de menor compromisso, então é a que mais facilita o primeiro sim de quem ainda não te conhece. Só que ela não é a única porta, e tratá-la como obrigatória cria um pedágio que às vezes custa o cliente.

Quem chega sabendo que precisa montar o orçamento, sair das dívidas e construir a reserva ao longo dos próximos meses pode entrar direto pela mentoria. Fazer essa pessoa pagar por um diagnóstico que ela já tem é vender o serviço errado, e ela percebe isso.

Quem chega com a base pronta, orçamento rodando, sem dívidas e com a reserva formada, e quer um conselheiro para as decisões grandes, pode entrar direto pelo acompanhamento. É o caso do Paulo, lá em cima, e ele não passa pelos dois primeiros degraus nunca.

Quem define o ponto de entrada é o momento de vida financeira do cliente. Não é uma regra fixa, e principalmente não é a sua preferência comercial: a esteira é o caminho natural, e não uma sequência compulsória.

Quando se oferece o próximo degrau?

A oferta do próximo serviço acontece sempre no último encontro do serviço em curso. A mentoria é oferecida no encontro de encerramento da consultoria, e o acompanhamento é oferecido na sexta reunião da mentoria. Isso não é detalhe de agenda, é o que faz a oferta funcionar.

O motivo é que esses são os dois únicos momentos em que o próximo degrau se explica sozinho. No encerramento da consultoria, o cliente já viveu trinta dias de execução e sabe exatamente do que é capaz sozinho e do que não é. Na sexta reunião da mentoria, ele está olhando a evolução de seis meses de trabalho, com os números do antes e do depois na frente dele.

Existe uma lógica que liga um degrau ao outro, e ela é o que faz a estrutura funcionar. A consultoria mostra ao cliente que existem ajustes a fazer: antes dela ele tinha uma sensação, e depois dela ele tem um diagnóstico. E o diagnóstico produz uma pergunta que não existia antes, que é como sustentar isso, e quem aceita responder essa pergunta sobe para a mentoria.

A mentoria deixa a base sólida e gera resultado que o cliente sente na rotina. Esse resultado produz outra pergunta, que ele costuma formular com estas palavras: e agora, como eu mantenho isso e dou os próximos passos? Quem quer continuar evoluindo sobe para o acompanhamento.

O que faz a engrenagem girar não é a sua habilidade de vender o degrau seguinte, é o resultado entregue no degrau atual. O cliente que sai satisfeito da consultoria quer mentoria, e o que sai transformado da mentoria quer acompanhamento. Se a oferta do próximo degrau precisa de esforço de convencimento, o problema não está na oferta: está na entrega anterior.

Quanto custa cada um dos três serviços?

Os valores abaixo são o ponto de partida do método, e eles funcionam como piso de quem está começando, nunca como teto. Eles existem porque quem ainda não tem histórico de resultado não tem como sustentar um valor próprio, e a tabela dá um lugar seguro para começar cobrando.

  • Consultoria, serviço pontual de dois encontros: a partir de R$ 500. É o valor de entrada da carreira, e ele sobe pela régua de evolução.
  • Mentoria, pacote fechado de seis meses: sempre quatro vezes a consultoria. No ponto de partida isso dá R$ 2.000, e a proporção não se quebra: se a consultoria sobe, a mentoria sobe junto, no mesmo dia.
  • Acompanhamento, mensalidade contínua: até 5% da renda do cliente. É teto, e não alvo, então uma renda de R$ 8.000 comporta até R$ 400 por mês, e cobrar abaixo disso no começo é legítimo.

A régua de subida é a agenda, e não o calendário. Quando a sua agenda atinge 70% da capacidade de atendimento, é hora de aumentar o preço para os novos contratos, e quem já está sendo atendido permanece no valor combinado. A conta de capacidade e o passo a passo do reajuste estão no artigo sobre quanto cobrar por uma consultoria financeira, e a conta de quantos clientes cabem na sua semana está em quantos clientes para viver de Educador Financeiro.

Uma observação sobre o momento de falar de preço, porque ela evita muito problema. O número vem decidido de casa, antes da conversa, e não se calcula na frente do cliente. Se a pessoa disser que está caro, isso não é um não, é um sinal de que o valor ainda não ficou claro para ela, e o caminho está em como responder à objeção "tá caro".

O que a esteira de serviços faz pela carreira?

Até aqui a esteira foi olhada pelo lado do cliente, e vale olhar pelo seu lado agora. Ela é a estrutura que sustenta a carreira, e faz isso por três caminhos diferentes.

Ela transforma a natureza da sua renda. Um educador que só vende serviços pontuais começa cada mês do zero, atrás de clientes novos para fechar a conta, enquanto um educador com clientes em acompanhamento tem uma base de receita que se repete todo mês e cresce a cada novo contrato de recorrência. A carteira de clientes deixa de ser uma sequência de vendas e passa a ser um patrimônio.

Ela multiplica as indicações. O cliente que fica anos ao seu lado, e que confia em você para as decisões importantes, é justamente o que mais fala de você para os outros, e a indicação é a captação mais forte do método. O jeito de pedir sem constranger ninguém está em como pedir indicação de cliente sendo Educador Financeiro.

Ela faz cada cliente valer mais ao longo do tempo. Vale ver a conta com números, e ela é reconstruível a partir dos valores de partida, descrevendo o cliente que sobe os três degraus começando pela consultoria, que é o percurso mais comum e não uma regra.

Consultoria no mês 1: R$ 500. Mentoria em seguida, por seis meses: R$ 2.000. Acompanhamento a partir daí, o que deixa em torno de cinco mensalidades ainda dentro do primeiro ano: 5 x R$ 400 = R$ 2.000. Total do ano 1: R$ 4.500, contra R$ 500 de uma consultoria avulsa.

O segundo ano é a parte que quase ninguém projeta, e é onde a recorrência aparece. No ano 2 não existe consultoria nova nem mentoria nova para vender a esse cliente, existem doze mensalidades, o que dá R$ 4.800 no ano sem uma única venda nova. É o mesmo cliente, conquistado uma vez só, e é por isso que o acompanhamento é o degrau que mais eleva o resultado de longo prazo.

Vale o enquadramento honesto: essa conta descreve um cliente que percorreu a esteira inteira, e nem todo cliente percorre. Alguns param na consultoria, outros entram direto no acompanhamento e ficam anos, e outros somem. O que a estrutura garante não é que todo mundo suba, e sim que exista para onde subir quando o trabalho foi bem feito.

Montar os três serviços é a parte simples. Conduzir cada um deles com método, do levantamento de dados à reunião que fecha, é o que separa o educador que cobra R$ 500 e some do que constrói uma carteira de clientes que renova sozinha. É esse caminho inteiro que eu ensino na Formação do Grupo Karppa.

Os três serviços, do primeiro contato ao contrato renovado

Formação Karppa: aprenda a conduzir os três serviços, e não só a escolher qual oferecer

A Formação do Grupo Karppa ensina a profissão do começo ao fim. O caminho cobre a prospecção, a sessão que fecha, a condução da consultoria, os seis meses de mentoria e o acompanhamento mês a mês. Converse com um especialista e entenda como aplicar isso na sua realidade.

Falar com um especialista

Que erros de leitura mais aparecem?

Errar o degrau custa o cliente, e os quatro erros abaixo são os que eu mais vejo. Todos eles são de leitura, e todos têm conserto.

  • Tratar a consultoria como conversa solta. É o mais comum, e nasce de subestimar um serviço curto. A consultoria é pontual, mas é estruturada: entrar no encontro principal sem o diagnóstico prévio transforma a reunião em entrevista, e o cliente paga por uma descoberta que ele mesmo poderia ter feito.
  • Encerrar tudo no encontro principal. É a variação do erro acima, e ela apaga o encontro de encerramento, que é justamente onde a evolução se mostra e onde a mentoria nasce sozinha.
  • Tentar gerar transformação de base num encontro só. É o erro inverso, que usa a consultoria para resolver o que exige meses. Um orçamento montado numa reunião e nunca revisitado não sobrevive ao terceiro mês, e o cliente conclui que o método não funciona quando o que faltou foi tempo.
  • Confundir mentoria com acompanhamento. Os dois são uma reunião por mês, e é só isso que eles têm em comum. A mentoria tem prazo e existe para construir, o acompanhamento não tem prazo e existe para aconselhar.
  • Classificar pela renda. É o que mais parece razoável, e por isso o mais difícil de desaprender. A Camila fatura bem e é cliente de consultoria, a Fernanda está endividada e é cliente de mentoria, e as duas perguntas existem justamente para substituir esse atalho.

Existe ainda um erro de fronteira que vale nomear, porque ele aparece quando alguém tenta encaixar um quarto serviço na esteira. Cuidar da rotina financeira da pessoa ou da empresa dela, pagando conta e conciliando extrato, não é um degrau desta estrutura: é outro trabalho, com outro nome, e eu explico por que ele não é papel do Educador Financeiro no artigo sobre BPO financeiro. E se o que você está montando agora é o negócio inteiro em volta desses três serviços, o caminho completo está em como montar uma consultoria financeira do zero.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre consultoria, mentoria e acompanhamento financeiro?

A diferença está na natureza de cada um, e ela decide tudo o que vem depois. A consultoria é pontual: dois encontros, o principal e o de encerramento, e ela existe para diagnosticar e resolver um problema delimitado. A mentoria é estruturada: seis meses e seis reuniões mensais, e ela existe para construir a base financeira do cliente. O acompanhamento é contínuo, sem data para acabar, com uma reunião por mês, e ele existe para aconselhar as decisões que aparecem ao longo da vida. Existe ainda uma diferença de papel: na consultoria e na mentoria o educador é professor, e no acompanhamento ele é conselheiro.

Posso apresentar os três serviços na primeira conversa?

Não, e esse é o erro que mais atrapalha quem está começando. Apresentar os três como um cardápio faz o cliente comparar preço, porque ele não tem repertório para avaliar qual dos três resolve o problema dele. O resultado quase sempre é o mesmo: ele escolhe o mais barato, ou não escolhe nada. Os três serviços existem para o educador escolher, e não para o cliente escolher. Na sessão de aconselhamento você lê o momento da pessoa e indica um serviço, com a justificativa da escolha, que é exatamente o que ela foi buscar quando procurou um profissional.

O cliente precisa fazer a consultoria antes da mentoria?

Não existe ordem obrigatória, e quem define o ponto de entrada é o momento de vida financeira do cliente. A consultoria é a porta mais comum porque é o serviço de menor compromisso, e por isso é a que mais facilita o primeiro sim. Mas quem já sabe que precisa montar o orçamento, sair das dívidas e construir a reserva ao longo dos próximos meses pode entrar direto pela mentoria. E quem chega com a base pronta, sem dívidas e com a reserva formada, pode entrar direto pelo acompanhamento. Fazer alguém pagar por um diagnóstico que ela já tem é vender o serviço errado.

Como saber se o cliente é de mentoria ou de acompanhamento?

Os dois têm uma reunião por mês, e é só isso que eles têm em comum, então a confusão é natural. A mentoria tem prazo de seis meses e existe para construir a base financeira; o acompanhamento não tem prazo e existe para aconselhar decisões. A pergunta que separa é se a base já está de pé: se o orçamento roda, as dívidas acabaram e a reserva existe, é acompanhamento. Se alguma dessas peças ainda precisa ser construída, é mentoria. Oferecer acompanhamento a quem não tem base é vender conselho para quem precisa de fundação, e oferecer mentoria a quem já tem base é vender seis meses de construção sobre alicerce pronto.

Quanto cobrar pela consultoria, pela mentoria e pelo acompanhamento?

Os valores de partida do método são três. A consultoria começa em R$ 500. A mentoria custa sempre quatro vezes a consultoria, o que dá R$ 2.000 nesse ponto de partida. E o acompanhamento tem teto de 5% da renda do cliente, então uma renda de R$ 8.000 comporta até R$ 400 por mês. A regra das quatro vezes não se quebra: quando a consultoria sobe, a mentoria sobe junto, no mesmo dia. E o teto de 5% é teto, não é alvo, então cobrar abaixo dele no começo é legítimo. Esses números são o piso de quem está começando, e a régua de subida é a agenda chegar a 70% de lotação.

Quando eu ofereço o próximo serviço para o cliente?

A oferta do degrau seguinte acontece sempre no último encontro do serviço em curso. A mentoria é oferecida no encontro de encerramento da consultoria, e o acompanhamento é oferecido na sexta reunião da mentoria. O motivo é prático: são os dois únicos momentos em que o próximo passo se explica sozinho, porque o cliente acabou de viver o resultado do anterior. No encerramento da consultoria ele já passou trinta dias executando o plano e sabe do que é capaz; na sexta reunião da mentoria ele está olhando a evolução de seis meses. Se a oferta precisa de esforço de convencimento, o problema não está nela, está na entrega anterior.

Dá para começar a carreira com um serviço só?

Dá para começar atendendo o primeiro cliente com um serviço só, e é assim que quase todo mundo começa. O que não dá é construir carreira assim, porque quem tem um serviço só vende uma vez por cliente: atende, resolve, e a relação termina ali. O trabalho de prospecção recomeça do zero todo mês. Ter os três degraus prontos não obriga você a oferecer os três para todo mundo, e nem todo cliente vai percorrer a esteira inteira. O que muda é que existe uma resposta certa para cada momento de quem chega, em vez de um serviço só tentando servir para tudo.

O acompanhamento financeiro é a mesma coisa que assessoria de investimentos?

Não, e a diferença é de atividade, não de nome. No acompanhamento o Educador Financeiro atua como conselheiro das decisões de dinheiro da pessoa: ele lê os números do mês, confere se o orçamento continua de pé e ajuda a pensar a decisão que o cliente trouxe. O que ele não faz é indicar produto, instituição ou papel, nem definir percentual de alocação de carteira de investimentos, nem prometer rentabilidade. A régua que eu ensino cabe numa frase: educar sobre a categoria, sim, indicar o produto, não. Explicar o que uma categoria é, para que serve e se combina com o objetivo do cliente é trabalho do educador, e escolher o produto é atividade regulada.

Conclusão

A escolha do serviço é um diagnóstico, e não uma decisão comercial. Os três degraus existem para você escolher a partir do momento de quem chegou, então a conversa que antecede a recomendação vale mais do que qualquer tabela de preço. As duas perguntas dão a resposta quase sempre: qual é o tamanho do problema que a pessoa trouxe, e quanto tempo esse problema leva para ser resolvido. Problema delimitado que se resolve com diagnóstico é consultoria, base inteira por construir é mentoria, e trajetória de decisões sem fim é acompanhamento. A renda não entra nessa conta, ela entra só no valor que você vai cobrar. E o degrau seguinte nunca é argumento de venda: ele é consequência do trabalho bem feito no degrau atual.

O que fazer nas próximas 24 horas?

Escreva os seus três serviços numa folha, em três linhas, com a natureza e o tempo de cada um do lado. Consultoria, pontual, dois encontros. Mentoria, estruturado, seis meses e seis reuniões. Acompanhamento, contínuo, uma reunião por mês. Se você ainda não tem os três desenhados, esse é o trabalho de hoje, e ele vale mais do que qualquer post que você fosse publicar.

Depois pegue os seus clientes atuais, ou as pessoas com quem você já conversou, e passe cada uma pelas duas perguntas. Você vai encontrar gente atendida no degrau errado, e isso é normal: a correção não é recomeçar o contrato, é conversar no próximo encontro e oferecer o serviço que resolve o problema de verdade. Por fim, escreva a frase que você vai usar para recomendar um serviço na próxima sessão, começando pelo motivo da escolha, e não pelo preço.